Vigília bolsonarista vira tumulto após pastor criticar Bolsonaro em discurso

Um pastor da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito foi agredido por bolsonaristas após denunciar, em uma vigília organizada por Flávio Bolsonaro, a responsabilidade de Jair Bolsonaro pelas mais de 700 mil mortes da pandemia. O ato, que contrariava uma decisão do STF, terminou em tumulto, agressões e intervenção policial. O episódio revela o clima de radicalização e intolerância presente em manifestações bolsonaristas.

Nov 23, 2025 - 11:03
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Vigília bolsonarista vira tumulto após pastor criticar Bolsonaro em discurso
Ismael Lopes (Foto: Reprodução redes sociais)

Pastor denuncia Bolsonaro em vigília e é agredido por bolsonaristas

A vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, terminou em violência e grande tumulto. O episódio ganhou repercussão nacional depois que o pastor Ismael Lopes, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, confrontou o senador e responsabilizou o ex-presidente pelas mais de 700 mil mortes na pandemia de Covid-19.

A cena foi registrada em vídeo e publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo. Assim que encerrou seu discurso, o pastor foi hostilizado, perseguido e agredido por apoiadores bolsonaristas presentes no ato.

“Seu pai abriu 700 mil covas”: o discurso que enfureceu apoiadores

Ismael Lopes subiu ao palco logo após dois pastores alinhados ao bolsonarismo. Em sua fala, denunciou a condução da pandemia por Jair Bolsonaro e defendeu sua condenação no caso da trama golpista. Ao afirmar que o ex-presidente “abriu 700 mil covas”, foi imediatamente vaiado e cercado.

O pastor tentou se afastar para evitar confrontos, mas uma multidão o perseguiu. Ele foi derrubado e espancado, enquanto Flávio Bolsonaro e aliados tentavam conter os mais exaltados — sem sucesso. A polícia interveio com spray de pimenta para dispersar os agressores.

Mesmo após o susto, Ismael reafirmou seu posicionamento:
“Vim aqui tentar fazer uma fala baseada na palavra de Deus, para acabar com essa instrumentalização da fé cristã que eles fazem.”
Após o depoimento, ele deixou o local em uma viatura para registrar boletim de ocorrência.

A vigília contrariava decisão do STF

O ato aconteceu em um estacionamento próximo ao condomínio onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A própria organização da vigília foi citada por Moraes como um dos elementos que justificaram a prisão preventiva, por representar risco à ordem pública.

A manifestação reuniu várias figuras da direita, entre elas Carlos Bolsonaro, Rogério Marinho, Helio Lopes e Bia Kicis, além de centenas de apoiadores.

Flávio Bolsonaro criticou duramente a decisão judicial, chamando-a de “esdrúxula”, e voltou a defender um projeto de anistia para seu pai e outros envolvidos na tentativa de golpe.

Radicalização e violência em atos bolsonaristas

O ataque ao pastor evidencia o clima de hostilidade crescente em atos bolsonaristas — inclusive naqueles que se apresentam como vigílias religiosas. O episódio expõe fissuras internas e revela como a mistura entre política, fé e radicalização continua produzindo conflitos, especialmente após a prisão de Jair Bolsonaro.

A agressão a Ismael Lopes reforça o alerta para a escalada de intolerância em movimentos alinhados ao ex-presidente, mostrando que qualquer crítica, mesmo fundamentada em convicções religiosas, pode resultar em violência física.